Segundo um novo relatório de políticas, a Coreia do Sul poderá introduzir regulamentações específicas para stablecoins antes de concluir sua legislação mais abrangente sobre criptomoedas, à medida que os reguladores se mobilizam para acelerar a estrutura de ativos digitais do país.
A recomendação surge num momento em que a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) trabalha para consolidar várias propostas de criptomoedas e stablecoins numa única Lei Básica de Ativos Digitais, enquanto os participantes do setor continuam debatendo como as stablecoins lastreadas em won coreano devem ser regulamentadas.
Principais lições
Um relatório de políticas recomenda a introdução de regras provisórias para stablecoins antes que a Coreia do Sul conclua sua Lei Básica de Ativos Digitais.
A Comissão de Serviços Financeiros planeja consolidar cerca de 10 projetos de lei pendentes relacionados a criptomoedas e stablecoins em uma estrutura unificada.
Os legisladores estão considerando um modelo liderado por bancos para a emissão de stablecoins lastreadas em won coreano.
A estrutura proposta estabeleceria regras para a emissão de stablecoins, exchanges, divulgações e proteção do investidor.
Questões relacionadas aos requisitos de propriedade e às stablecoins emitidas no exterior permanecem sem solução.
Relatório recomenda regulamentação gradual de stablecoins
Um relatório de políticas publicado em conjunto pela Hashed Open Research e pelo Solana Policy Institute recomenda que a Coreia do Sul adote uma abordagem gradual para a regulamentação das stablecoins, em vez de esperar pela conclusão da Lei Básica de Ativos Digitais.
O relatório resume as discussões realizadas durante um simpósio em 23 de junho, que contou com a participação de legisladores, especialistas jurídicos e representantes do setor. De acordo com o relatório, diretrizes provisórias de licenciamento proporcionariam maior segurança regulatória para empresas que desenvolvem serviços de pagamento e liquidação com stablecoins, enquanto os legisladores continuam negociando a estrutura legislativa mais ampla. As recomendações são consultivas e não constituem lei vigente.
Governo impulsiona estrutura criptográfica unificada
Em comunicado separado, a Comissão de Serviços Financeiros confirmou que está preparando uma Lei Básica de Ativos Digitais, com apoio governamental, que consolidaria cerca de 10 projetos de lei pendentes sobre criptomoedas e stablecoins em uma única estrutura legislativa. Após consultas com o governo e o partido governista, espera-se que a legislação proposta defina os negócios com ativos digitais, estabeleça padrões de conduta e crie uma base legal para a emissão e distribuição de stablecoins.
A estrutura também introduziria requisitos mais claros para o licenciamento de exchanges, obrigações de divulgação abrangendo a emissão e circulação de tokens, controles internos mais robustos e padrões de tecnologia da informação aprimorados, projetados para aproximar as empresas de criptomoedas dos requisitos das instituições financeiras.
Autoridades da FSC afirmaram que o objetivo é criar um ecossistema de ativos digitais que equilibre inovação com estabilidade financeira, ao mesmo tempo que fortalece as medidas de combate à lavagem de dinheiro.
Emissores de stablecoins continuam sendo o principal ponto de debate.
Uma das maiores questões ainda não resolvidas é determinar quem deve ter permissão para emitir stablecoins lastreadas em won coreano.
O deputado do Partido Democrata, Ahn Do geol, afirmou que os legisladores estão discutindo um acordo que permitiria aos bancos manter a propriedade majoritária, enquanto as empresas fintech gerenciariam as operações diárias.
Uma das propostas em análise exigiria que os bancos possuíssem mais de 50% das entidades emissoras de stablecoins, enquanto as empresas fintech poderiam deter participações minoritárias com responsabilidades operacionais.
Os defensores argumentam que a abordagem combina a supervisão bancária com a experiência tecnológica, enquanto os críticos acreditam que o controle bancário rígido pode limitar a concorrência e a inovação.
O Banco da Coreia manifestou apoio a um modelo de emissão liderado pelos bancos, citando preocupações com a política monetária, a estabilidade financeira e os fluxos de capital.
Moedas estáveis estrangeiras e propriedade em exchanges ainda estão sob revisão.
O relatório também destaca questões não resolvidas em torno das stablecoins emitidas no exterior.
Entre os temas em discussão estão se as emissoras estrangeiras de stablecoins devem estabelecer operações locais na Coreia do Sul, cumprir os requisitos de reserva internos ou obter aprovação regulatória antes de oferecer tokens a usuários coreanos. Enquanto isso, os reguladores estão avaliando se os limites de participação acionária de 15% a 20% devem ser aplicados uniformemente às principais corretoras de criptomoedas do país , incluindo Dunamu, Bithumb, Coinone, Korbit e Gopax.
A Comissão de Serviços Financeiros ainda não divulgou sua proposta legislativa oficial, o que significa que essas propostas permanecem sujeitas a novas consultas.
A estratégia mais abrangente de ativos digitais continua.
A iniciativa da stablecoin faz parte de um esforço mais amplo da Coreia do Sul para modernizar seu sistema financeiro por meio da tecnologia blockchain.
O governo prometeu concluir a segunda fase de sua legislação sobre ativos digitais durante o segundo semestre de 2026, enquanto também prepara um projeto piloto para 2027 que conectará títulos do governo tokenizados à plataforma de moeda digital do banco central (CBDC) do Banco da Coreia.
Ao mesmo tempo, a FSC está revisando diretrizes que podem expandir a participação corporativa no mercado doméstico de criptomoedas, onde as instituições financeiras enfrentam restrições significativas desde 2017.
Os legisladores também concordaram em aumentar a frequência das reuniões da Comissão de Assuntos Políticos, uma medida que deverá acelerar a análise do projeto de lei do governo assim que este for formalmente apresentado.
Conclusão
A Coreia do Sul está caminhando rumo a uma estrutura legal abrangente para ativos digitais, mas os legisladores podem priorizar a regulamentação de stablecoins antes de concluir a Lei Básica de Ativos Digitais (DABA). Tanto os planos do governo quanto as recomendações de especialistas do setor refletem o crescente reconhecimento da necessidade de regras mais claras à medida que a adoção de stablecoins se expande.
Embora ainda existam questões políticas importantes, incluindo a propriedade dos emissores, a regulamentação das exchanges e a supervisão das stablecoins estrangeiras, a decisão da Comissão de Serviços Financeiros de consolidar várias propostas em uma única estrutura sinaliza um impulso contínuo para o estabelecimento de um dos regimes regulatórios de criptomoedas mais abrangentes do país.
Aviso : Este artigo tem caráter meramente informativo e não deve ser considerado como aconselhamento de investimento ou negociação. Nada aqui contido deve ser interpretado como aconselhamento financeiro, jurídico ou tributário. Negociar ou investir em criptomoedas acarreta um risco considerável de perda financeira. Sempre realize uma pesquisa completa antes de tomar qualquer decisão de investimento ou negociação.